Olho no olho. Olho na testa.
Olho no nariz. Braços cruzados. Mãos no bolso. Pés voltados pra dentro. Pés
voltados pra fora. Mãos espalmadas. Mão segurando a mão.
Será que a observação de certos
comportamentos está sendo feita de forma correta?
Vamos a uma situação que faz parte do quadro: "Aconteceu Comigo":
Logo na primeira aula de
Oratória (Falar em Público) que ministrei numa instituição de ensino, durante
minha explanação sobre o tema, fui abruptamente interrompido por uma aluna
afeita à leitura destes manuais para falar bem em público. Segundo ela, ‘tinha
mais de 20 em casa’.
A princípio, achei que ela ia
apenas colocar algumas experiências, como é normal os alunos destes cursos fazerem. Assim, cuidadosamente e sem interrompê-la, fui conduzindo a pessoa
para o centro da cena até poder me sentar, como se tivesse abdicado da minha
posição na aula.
A classe me olhava atônita,
talvez esperando uma reação autoritária de minha parte. Mas não. Preferi dar
corda à leitora e ouvir suas explicações.
Qual não foi a surpresa de todos
que, ao perceber-se no centro da cena, ela começou a se embasbacar, tropeçou
nas palavras, nos gestos de que tanto falava e, envergonhada, desculpou-se e
sentou.
Situações como estas, embora
bizarras às vezes, são comuns a pessoas que, afoitas por falar em público de
maneira impressionante, compram pilhas de livros e as interpretam à própria
maneira.
Afinal, a profusão de leituras
sobre o tema, torna, enganosamente, todas as pessoas aptas a decifrar o outro,
a conhecer os trejeitos, a adivinharem o que virá numa comunicação.
Só que não.
O corpo fala (com o perdão da ‘indireta’)
de acordo com situações específicas e segue um código de ambientes. Para ser
simplista, não dá pra falar de ser sinal de resistência braços cruzados numa
sala gelada. Nem ‘pernas voltadas para a máquina de café’, se o sujeito sentou
à porta e não quer atrapalhar o trânsito de outras pessoas. Certo?
Precipitar-se em interpretações
assim é o mesmo que dizer que se tornou um exímio físico nuclear apenas lendo
almanaques em banca de revista!
Claro que a postura corporal e os bons modos têm que ser observados e fazem parte do que tecnicamente chamamos de
“Comunicação Não verbal”, mas é necessário analisar todo o contexto em que se
está inserido.
A boa comunicação só se dá com
uma boa compreensão. Caso contrário, de nada adiantará acumular pilhas de livros
de Oratória se a pessoa só consegue falar sozinha e tirar suas próprias
conclusões sobre isso.
Livros assim são excelentes, mas são como remédio: só tome sob prescrição de um profissional.
Nos meus cursos, costumo passar
referências bibliográficas só ao final, para evitar interpretações equivocadas.
Neste caso, se você é
colecionador deste tipo de literatura, parabéns: interesse é importante; mas
aconselho que, antes de tecer comentários sobre posturas, faça um bom curso,
procure um profissional do ramo e recomece sua leitura. Tenho certeza de que mudará
de opinião, como fez aquela aluna que inspirou este texto.
É isso.

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