Olá, pessoas!
Conta a
história que nos tempos idos do rádio e em meio à repressão, a dupla Alvarenga
e Ranchinho, que fazia duras críticas àquele período, certa vez foi barrada
pouco antes de entrar no palco por um agente. Ele não queria autógrafo nem ‘tirar
uma selfie’ com os humoristas: queria conhecer o teor das piadas que os dois
faziam no palco. Naquele tempo era comum submeter os textos, filmes e qualquer
material para veiculação à censura para uma análise prévia. Alvarenga, liso que
era, retrucou: “a gente não pode mostrar nada porque muita coisa faz de
improviso”. O agente não cedeu e mandou logo uma em cima: ‘não tem problema, a
gente quer ver o improviso também’.
Para quem não
enveredou pelos caminhos da Oratória, esta exigência do agente pode parecer absurda,
mas até que faz sentido. Sem entrar no mérito da questão da censura, o improviso pode
muito bem ser ensaiado, ao contrário do que podem pensar alguns.
Cabe lembrar
que o ‘falar de improviso’ requer técnica, preparo e acima de tudo, experiência e sensibilidade.
Não é fácil ser abordado numa ocasião qualquer e ter de fazer uso do microfone
sem ter ao menos uma ideia do que poderá ser falado. Por outro lado, levar um
discurso ensaiado, com palavras escolhidas a dedo, pode tirar a naturalidade do
orador e fazê-lo parecer mecânico, um robozinho falante e sem emoção.
Um artigo que
me chamou bastante atenção foi sobre o locutor esportivo Nick
Barnes: antes de cada jogo, ele costuma fazer um estudo de partidas
anteriores envolvendo os dois times. Isto o ajuda na improvisação durante a
narrativa, tornando-a mais atraente ao ouvinte.
Ou seja:
o improviso, mesmo não podendo ser mostrado antes, pode ser ensaiado.
Ao improvisar,
tenha sempre em mente que é necessário coesão nas ideias, com começo, meio e
fim. Ou então, vai parecer que você utilizou seu tempo de fala apenas por uma
questão de protocolo, mesmo sem ter conteúdo.
É isso.

Nenhum comentário:
Postar um comentário