domingo, 28 de junho de 2015

Falar em Público? É simples. Li todos os livros

Olá, pessoas!

Olho no olho. Olho na testa. Olho no nariz. Braços cruzados. Mãos no bolso. Pés voltados pra dentro. Pés voltados pra fora. Mãos espalmadas. Mão segurando a mão.
Será que a observação de certos comportamentos está sendo feita de forma correta?
Vamos a uma situação que faz parte do quadro: "Aconteceu Comigo":
Logo na primeira aula de Oratória (Falar em Público) que ministrei numa instituição de ensino, durante minha explanação sobre o tema, fui abruptamente interrompido por uma aluna afeita à leitura destes manuais para falar bem em público. Segundo ela, ‘tinha mais de 20 em casa’.
A princípio, achei que ela ia apenas colocar algumas experiências, como é normal os alunos destes cursos fazerem. Assim, cuidadosamente e sem interrompê-la, fui conduzindo a pessoa para o centro da cena até poder me sentar, como se tivesse abdicado da minha posição na aula.
A classe me olhava atônita, talvez esperando uma reação autoritária de minha parte. Mas não. Preferi dar corda à leitora e ouvir suas explicações.
Qual não foi a surpresa de todos que, ao perceber-se no centro da cena, ela começou a se embasbacar, tropeçou nas palavras, nos gestos de que tanto falava e, envergonhada, desculpou-se e sentou.
Situações como estas, embora bizarras às vezes, são comuns a pessoas que, afoitas por falar em público de maneira impressionante, compram pilhas de livros e as interpretam à própria maneira.
Afinal, a profusão de leituras sobre o tema, torna, enganosamente, todas as pessoas aptas a decifrar o outro, a conhecer os trejeitos, a adivinharem o que virá numa comunicação.
Só que não.
O corpo fala (com o perdão da ‘indireta’) de acordo com situações específicas e segue um código de ambientes. Para ser simplista, não dá pra falar de ser sinal de resistência braços cruzados numa sala gelada. Nem ‘pernas voltadas para a máquina de café’, se o sujeito sentou à porta e não quer atrapalhar o trânsito de outras pessoas. Certo?
Precipitar-se em interpretações assim é o mesmo que dizer que se tornou um exímio físico nuclear apenas lendo almanaques em banca de revista!
Claro que a postura corporal e os bons modos têm que ser observados e fazem parte do que tecnicamente chamamos de “Comunicação Não verbal”, mas é necessário analisar todo o contexto em que se está inserido.
A boa comunicação só se dá com uma boa compreensão. Caso contrário, de nada adiantará acumular pilhas de livros de Oratória se a pessoa só consegue falar sozinha e tirar suas próprias conclusões sobre isso.
Livros assim são excelentes, mas são como remédio: só tome sob prescrição de um profissional.
Nos meus cursos, costumo passar referências bibliográficas só ao final, para evitar interpretações equivocadas.
Neste caso, se você é colecionador deste tipo de literatura, parabéns: interesse é importante; mas aconselho que, antes de tecer comentários sobre posturas, faça um bom curso, procure um profissional do ramo e recomece sua leitura. Tenho certeza de que mudará de opinião, como fez aquela aluna que inspirou este texto.

É isso.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Improvisar não é falar qualquer coisa

Olá, pessoas!
Conta a história que nos tempos idos do rádio e em meio à repressão, a dupla Alvarenga e Ranchinho, que fazia duras críticas àquele período, certa vez foi barrada pouco antes de entrar no palco por um agente. Ele não queria autógrafo nem ‘tirar uma selfie’ com os humoristas: queria conhecer o teor das piadas que os dois faziam no palco. Naquele tempo era comum submeter os textos, filmes e qualquer material para veiculação à censura para uma análise prévia. Alvarenga, liso que era, retrucou: “a gente não pode mostrar nada porque muita coisa faz de improviso”. O agente não cedeu e mandou logo uma em cima: ‘não tem problema, a gente quer ver o improviso também’.
Para quem não enveredou pelos caminhos da Oratória, esta exigência do agente pode parecer absurda, mas até que faz sentido. Sem entrar no mérito da questão da censura, o improviso pode muito bem ser ensaiado, ao contrário do que podem pensar alguns.
Cabe lembrar que o ‘falar de improviso’ requer técnica, preparo  e acima de tudo, experiência e sensibilidade. Não é fácil ser abordado numa ocasião qualquer e ter de fazer uso do microfone sem ter ao menos uma ideia do que poderá ser falado. Por outro lado, levar um discurso ensaiado, com palavras escolhidas a dedo, pode tirar a naturalidade do orador e fazê-lo parecer mecânico, um robozinho falante e sem emoção.
Um artigo que me chamou bastante atenção foi sobre o locutor esportivo Nick Barnes: antes de cada jogo, ele costuma fazer um estudo de partidas anteriores envolvendo os dois times. Isto o ajuda na improvisação durante a narrativa, tornando-a mais atraente ao ouvinte.
 Ou seja:  o improviso, mesmo não podendo ser mostrado antes, pode ser ensaiado.
Ao improvisar, tenha sempre em mente que é necessário coesão nas ideias, com começo, meio e fim. Ou então, vai parecer que você utilizou seu tempo de fala apenas por uma questão de protocolo, mesmo sem ter conteúdo.

É isso.

quinta-feira, 12 de março de 2015

A Pausa como Parte da Exposição


Olá, pessoas!

Dentre todas as técnicas para falar em público, um item muito importante é sempre deixado de lado: a pausa.
Por mais incrível que possa parecer, ela é essencial, não somente para o palestrante/apresentador tomar água, respirar, mas também para este observar a reação da plateia.
A plateia, por sua vez, também terá seu tempo para refletir sobre o que acabou de ser dito e, desta forma, assimilar melhor a mensagem.
Nada mais angustiante do que aquele apresentador que não respira e vai exibindo slides em cima de slides e colocando comentários em cima de comentários num frenesi sem fim.
Quem não passou por isso ou já participou de uma exposição assim?
E não estou falando só de iniciantes. Falo de pessoas que têm uma boa quilometragem nesta estrada das palestras.
Nada encanta mais um apresentador do que, no espaço destinado a perguntas, receber uma avalanche delas. Como diz o ditado popular do meio: “Se não há dúvida, não há compreensão”. Vou mais longe: “Se não há dúvida, não há compreensão ou interesse”.
E se a pergunta não vem, será que não foi o apresentador que não deu tempo suficiente para a plateia refletir e assim conseguir formular perguntas?
Mas por que a pausa é sempre deixada de lado?
Pelas minhas observâncias, vejo que é uma falta de controle da ansiedade do apresentador. Com o intuito de passar a maior parte do conteúdo que foi surgindo no decorrer de seu preparo, este cai na armadilha que precisa ‘passar tudo porque senão a apresentação vai ficar incompleta’. Então, simplesmente descarrega o conteúdo sem dar tempo para sua compreensão.
Nem sempre é assim: tal conteúdo é sempre preparado para a plateia ‘ideal’: imaginamos o nossos movimentos, o nosso falar, o olhar ávido da plateia, o ambiente com o ar condicionado na temperatura adequada, enfim, nossa apresentação sempre é ‘feita para encantar’, mesmo que o assunto seja técnico. Só nos esquecemos que tanto o ambiente quanto a plateia são dinâmicos e podem mudar a qualquer instante.
Por isso a pausa se torna essencial. Com ela, observamos estas mudanças e 'damos um tempo' para sermos observados também. Isso gera a tão aguardada interação.
Sem pausa, sem impacto. Sem impacto, sem sucesso na apresentação.
Então, sempre que for falar em público, seja na universidade, na empresa, num seminário, pense na possibilidade de se deixar a plateia refletir sobre o que dissemos ou queremos dizer.
Que tal uma pausa?


É isso.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Quanto tempo eu tenho pra falar?

Esta pergunta sempre toma conta de quem está prestes a fazer uma apresentação, seja ela numa reunião de empresa, numa sala de aula ou num evento.
Explicar sobre administração do tempo da fala exige muitos cuidados, pois podemos dar a impressão de que uma explanação de uma ideia deva ser pautada apenas no relógio. Mas não.
De uma coisa tenha certeza: você não é o único a se preocupar com isso.
O tempo era tão importante para os gregos, que o papel de administrá-lo cabia a dois deuses: Chronos, na medição quantitativa e Kairós, com a atribuição de aferir a qualidade do que era feito em determinado período.
Viu só? Não são só os participantes da era moderna que vivem este dilema.
Cabe lembrar que muitas vezes falamos muito sem que aquilo traga resultado satisfatório nas pessoas que nos ouvem.
Então, é bom fazermos um discurso reduzido, mas com conteúdo.
Em se tratando de uma exposição oral, sempre somos reféns do relógio; daí advém vários problemas entre eles a falta de interesse, o cansaço e o bocejo da plateia.
Para resolvermos este entrave, algumas dicas se fazem necessárias:
·                    Evite o improviso, se possível;
·                    Não use palavras que precisem ser explicadas pela complexidade do termo;
·                    Faça um roteiro do que precisará ser dito;
·                    Depois do roteiro, enumere o que é importante em cada item deste roteiro;
·                    Dedique alguns minutos para refletir sobre o roteiro;
·                    Evite prolongar sobre os assuntos que você julga entender bem;
·                    Tire deste roteiro o que achar repetitivo;
·                    Concentre-se no que quer realmente dizer;
·                    Controle os insights comuns que surgem na hora da empolgação;
·                    Anote as frases de efeito que poderão ser usadas em cada item;
·                    Observe a atenção da plateia;
·                    Não hesite em abreviar o seu tempo caso perceba que não esteja agradando.
Lembre-se:
É melhor encerrar um assunto quando todos estão interessados em ouvir, do que se prolongar e perder todo o impacto da mensagem.

E que Chronos e Kairós nos protejam!

É isso.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Falar em Público: Alguma dúvida?


Olá, pessoa!
Nestes anos dedicados à Comunicação, percebo que há uma grande confusão quando o assunto é ‘Falar em Público’.
Para começar, os chamativos para o curso já deixam o pretenso interessado na dúvida: Será que faço um curso de “Desinibição ao Falar em Público”, “Perca o Medo de Falar em Público”, “Expressão Verbal” ou “Oratória”?
Resposta: tais cursos são, basicamente a mesma coisa. Cabe a você definir sua necessidade conversando com quem vai ministrá-lo para obter um melhor resultado.
 Pois bem: outro argumento bastante comum da parte dos que confundem o curso é: ‘não preciso falar em público’ ou ‘não falo para grandes plateias’.
Aí está um erro crucial: um curso para falar em público não significa, necessariamente, que você vá falar para multidões. Você TAMBÉM falará para multidões, mas o que não pode ser deixado de lado é que, muitas vezes, a sua  ‘multidão’ pode ser os seus colegas do escritório, seu superior imediato, seu cliente, seu fornecedor. Por exemplos: a sua plateia pode ser a reunião diária da sua empresa ou a apresentação de um projeto para a faculdade. E aí? Como você se sai diante destas situações?
Você já parou para pensar quantas vezes consideramos uma ideia tão boa, mas que, na hora H, parece que não achamos a palavra adequada?
E quando voltamos para a casa insatisfeitos e com aquela sensação de que não falamos o que era deveria e falamos o que era irrelevante?
Falar em público exige reflexão, observação e, nestes tempos do politicamente correto, da utilização das palavras certas.
Um curso com este objetivo fará com que você aprenda ou melhore a forma de se comunicar para pequenos ou grandes círculos, sejam estes sociais ou corporativos.
Para isso é preciso treino. Treino constante. Não apenas durante as dinâmicas que são aplicadas durante os cursos. É uma malhação sem fim na academia da comunicação. Você está disposto a isso ou vai ficar apenas admirando aquele colega que fala bem, que sabe se expor e que, por este motivo, é sempre colocado à sua frente mesmo nos momentos que você não considera tão importantes?
Como se sair de uma situação no ambiente de trabalho utilizando corretamente as palavras ou negociando um novo prazo para projetos? Para isso é preciso ter argumentos. Você consegue ordená-los na hora da exposição?
Outra confusão com que me deparei várias vezes é: este curso é muito formal. Outro enorme engano. “Falar em Público” vai abrir sua percepção para os mais variados ambientes e, consequentemente, a utilização das palavras  e o tom de voz adequados para várias circunstâncias.
Dá pra falar bem em reuniões, eventos corporativos, roda de amigos, sem que, para isso, demonstremos arrogância.
Viu como é abrangente?
Neste blog vamos elucidar os mais variados questionamentos de uma maneira clara, simples e objetiva, como a comunicação deve ser.
Seja para grandes plateias, de terno e gravata, ou até mesmo, com bermuda e chinelo.

É isso.