terça-feira, 19 de maio de 2015

Improvisar não é falar qualquer coisa

Olá, pessoas!
Conta a história que nos tempos idos do rádio e em meio à repressão, a dupla Alvarenga e Ranchinho, que fazia duras críticas àquele período, certa vez foi barrada pouco antes de entrar no palco por um agente. Ele não queria autógrafo nem ‘tirar uma selfie’ com os humoristas: queria conhecer o teor das piadas que os dois faziam no palco. Naquele tempo era comum submeter os textos, filmes e qualquer material para veiculação à censura para uma análise prévia. Alvarenga, liso que era, retrucou: “a gente não pode mostrar nada porque muita coisa faz de improviso”. O agente não cedeu e mandou logo uma em cima: ‘não tem problema, a gente quer ver o improviso também’.
Para quem não enveredou pelos caminhos da Oratória, esta exigência do agente pode parecer absurda, mas até que faz sentido. Sem entrar no mérito da questão da censura, o improviso pode muito bem ser ensaiado, ao contrário do que podem pensar alguns.
Cabe lembrar que o ‘falar de improviso’ requer técnica, preparo  e acima de tudo, experiência e sensibilidade. Não é fácil ser abordado numa ocasião qualquer e ter de fazer uso do microfone sem ter ao menos uma ideia do que poderá ser falado. Por outro lado, levar um discurso ensaiado, com palavras escolhidas a dedo, pode tirar a naturalidade do orador e fazê-lo parecer mecânico, um robozinho falante e sem emoção.
Um artigo que me chamou bastante atenção foi sobre o locutor esportivo Nick Barnes: antes de cada jogo, ele costuma fazer um estudo de partidas anteriores envolvendo os dois times. Isto o ajuda na improvisação durante a narrativa, tornando-a mais atraente ao ouvinte.
 Ou seja:  o improviso, mesmo não podendo ser mostrado antes, pode ser ensaiado.
Ao improvisar, tenha sempre em mente que é necessário coesão nas ideias, com começo, meio e fim. Ou então, vai parecer que você utilizou seu tempo de fala apenas por uma questão de protocolo, mesmo sem ter conteúdo.

É isso.